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Bastidores do longa-metragem Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles
Baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva, o filme Ainda Estou Aqui narra a história de Eunice Paiva, mãe e ativista que enfrenta o desaparecimento forçado do marido durante a ditadura militar no Brasil. Com direção de Walter Salles, o longa foi aclamado imediatamente após sua estreia na 81ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, e mais tarde conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional na 97ª cerimônia da Academia — o primeiro Oscar da história do cinema brasileiro.
Em parceria com a Panavision Paris, responsável pelo fornecimento do pacote de câmeras e lentes, Salles e o diretor de fotografia Adrian Teijido, ABC, criaram estilos visuais distintos para os dois períodos retratados no filme — os anos 1970 e os anos 2000 —, todos enquadrados no formato 1.85:1. Para os anos 1970, Teijido utilizou lentes Panavision Primo acopladas a uma câmera Aaton Penelope, filmando em 35mm (3-perf) com o negativo colorido Kodak Vision3 500T 5219. Já nas cenas ambientadas nos anos 2000, o diretor de fotografia optou por uma Arricam LT com lentes Leitz Summilux-C e o negativo Kodak Vision3 200T 5213.
Na entrevista a seguir, Teijido comenta sua colaboração com Salles e compartilha as referências e motivações por trás da atmosfera intimista do filme.
Panavision: Como surgiu o encontro com Walter Salles e sua entrada no projeto?
Adrian Teijido, ABC: Fui indicado ao Walter pelo diretor Sergio Machado, que havia sido seu assistente de direção. Além disso, contei com o grande apoio da Conspiração Filmes.

Como você descreveria a estética visual do filme?
Teijido: Com Walter, decidimos que o público precisava acreditar naquela família. Por isso, optamos por uma abordagem naturalista, construída por subtração — sem embelezamentos ou pirotecnias visuais. A intenção era criar uma atmosfera íntima, capaz de transportar o espectador para dentro daquela casa.
Houve alguma referência visual específica que serviu de inspiração?
Teijido: Walter me presenteou com um livro do pintor dinamarquês Vilhelm Hammershøi. Aqueles quadros foram referências fundamentais para decidirmos como filmar a casa. Como o próprio Walter diz, este é um filme sobre ausências.
O que motivou a escolha das lentes específicas para cada período?
Teijido: Era essencial que o público sentisse a diferença entre os anos 1970 e os anos 2000. Na primeira parte do filme, usei lentes Panavision Primo. Já na segunda parte, optei pelas Summilux-C da Leitz. Queria que os anos 2000 parecessem mais limpos e iluminados.

Por que escolher a Panavision para este projeto?
Teijido: Cresci como diretor de fotografia na América do Sul. Estar aqui hoje, trabalhando com a Panavision, é a realização de um sonho.
O que te inspirou a seguir carreira como diretor de fotografia?
Teijido: Desde criança, sou fascinado por fotografia — cheguei a montar um laboratório de revelação em preto e branco. Nós, diretores de fotografia, somos contadores de histórias visuais. É fascinante provocar emoções no público por meio das imagens que criamos.

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